terça-feira, 3 de agosto de 2010

Faleceu Mário Bettencourt Resendes

Ex-director do Diário de Notícias e vencedor do Prémio Europeu de Jornalistas, Mário Bettencourt Resendes faleceu no passado dia 2 aos 58 anos.


© André Kosters/Lusa

O jornalista faleceu no Hospital Cuf Descobertas, pelas 2H15, e o funeral realiza-se hoje, com missa na Igreja de São João de Deus (15H00) e saída para o cemitério dos Olivais (15H45), onde será cremado (17H00).

Actualmente, Mário Bettencourt Resendes era provedor do leitor do Diário de Notícias (DN) mas, para trás, deixou uma vida dedicada ao jornalismo.

Nasceu em Ponta Delgada em 1952 e iniciou carreira no jornalismo em 1975, após ter sido “apanhado” pelo 25 de Abril enquanto frequentava o 5.º ano do curso de Gestão de Empresas e Economia. Com a sociedade portuguesa em convulsão e com as aulas paradas, resolveu ir para Paris estudar jornalismo, descobrindo no “mundo da comunicação” uma paixão tão forte que nunca mais regressou à economia.

Em 1975 iniciou, enquanto jornalista, um estágio no Diário de Notícias. No final do estágio integrou a equipa fundadora do Jornal Novo e a redacção da revista semanal Opção. Contudo, em Novembro de 1976, regressou ao DN onde foi, sucessivamente, redactor de Política Nacional, editor do suplemento Análise DN, coordenador das secções Política Nacional, Economia e Trabalho, e director-adjunto.

Quando o DN foi privatizado, em 1991, Mário Bettencourt Resendes ocupava já o cargo de director daquele jornal que passou para o domínio do grupo Lusomundo. Anos mais tarde, quando o DN passou a integrar o grupo Controlinveste, Mário Bettencourt Resendes manteve-se no cargo, tendo saído da direcção só em 2007 para se tornar provedor dos leitores daquele jornal.

Além de jornalista, Mário Bettencourt Resendes leccionou Comunicação Social no Instituto Superior de Comunicação Social, foi analista político, moderador de mesas-redondas, responsável por programas na RTP e na Rádio Comercial, e comentador político na TSF.

Mário Bettencourt Resendes foi ainda vice-presidente da comissão directiva europeia da Associação de Jornalistas Europeus, presidente da assembleia geral da secção portuguesa e integrou, em 1994, o Conselho Consultivo dos Utilizadores, em Bruxelas.

Mário Bettencourt Resendes foi também porta-voz do Movimento Informação e Liberdade, fundado em 2008, com o intuito de ser interlocutor em todos os processos de discussão de questões de interesse para a classe dos jornalistas.

Em 1993 foi galardoado com o Prémio Europeu de Jornalismo pela Associação de Jornalistas Europeus.

A morte de Mário Bettencourt Resendes deixou o jornalismo mais pobre, contudo, fica para esta geração de jornalistas, e para outras futuras, o exemplo de um homem que dedicou a sua vida ao rigor informativo, à luta pelos valores democráticos, pela liberdade de expressão e de imprensa, tendo sido um dos mais destacados jornalistas portugueses de sempre.

Fontes:
Diário de Notícias
Expresso

RTP
TSF

1 comentário:

  1. Mário Bettencourt Resendes era, para mim, um dos expoentes do jornalismo português. Era o símbolo do que é ser-se jornalista. A sabedoria, honestidade, bom senso e imparcialidade deste jornalista são o maior legado que deixou para as próximas gerações de jornalistas portugueses.

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