segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Autor da semana: Agustina Bessa-Luís

Considerada por muitos como a melhor romancista portuguesa da actualidade, Agustina Bessa-Luís tem uma extensa obra que incursa em diversos domínios, desde o conto, a crónica e o ensaio, a livros de viagens, infantis e sobre história da arte. Conheça a história desta mulher cuja vida se faz de palavras.


© Manuel Almeida/Lusa


Agustina Bessa-Luís nasceu em Vila Meã, Amarante, em 1922, descendente de uma família de raízes rurais de Entre Douro e Minho e de uma família espanhola de Zamora, do lado da mãe, região onde passou grande parte da sua infância e adolescência e que teve uma forte influência na sua obra.


Mudou-se depois para o Porto e estreou-se como romancista em 1948, com a novela Mundo Fechado, tendo, desde então, mantido um ritmo de publicação incomum entre os autores portugueses, contando, até à data, com mais de 50 obras publicadas.


Contudo, é com A Sibila, romance publicado em 1954, que ganha notoriedade e se torna numa das mais importantes vozes da ficção portuguesa contemporânea.


Foi membro do conselho directivo da Comunitá Europea degli Scrittori nos anos de 1961 e 1962.


Já nos anos de 1986 e 1987 dirigiu O Primeiro de Janeiro e entre 1990 e 1993 o Teatro Nacional D. Maria II.


Tem sido “embaixadora” das letras portuguesas em diversos colóquios internacionais e realizado conferências em universidades um pouco por todo o mundo.


É igualmente autora de peças de teatro e guiões para televisão, tendo o seu romance As Fúrias sido adaptado para teatro e encenado por Filipe La Feria em 1995 no Teatro Nacional D. Maria II.


É membro da Academie Européenne des Sciences, des Arts et des Lettres, da Academia Brasileira de Letras e da Academia das Ciências de Lisboa.


Em 1980 foi distinguida com a Ordem de Sant`Iago da Espada, em 1988 com a Medalha de Honra da Cidade do Porto e em 1989 com o grau de Officier de l`Ordre des Arts et des Lettres, atribuído pelo executivo francês.


Em 2004, aos 81 anos, Agustina Bessa-Luís recebeu o mais importante prémio literário da língua portuguesa: o Prémio Camões.



Obra

Ficção
Mundo Fechado (novela). Coimbra: col. "Mensagem", 1948
Os Super Homens (romance). Porto: Liv. Portugália, 1950

Contos Impopulares. Porto: ed. da A. 1951-1953; 4ª ed. Lisboa: Guimarães, 1984

A Sibila (romance). Lisboa: Guimarães Editores, 1954; 20ª ed., 1996

Os Incuráveis (romance). Lisboa: Guimarães Editores 1956; 2ª ed.( 2 vol).1983 / 1984.

A Muralha (romance). Lisboa: Guimarães Editores, 1957; ed. Clube do Livro, 198

O Susto (romance). Lisboa: Guimarães Editores, 1958
Ternos Guerreiros (romance). Lisboa: Guimarães Editores, 1960
O Manto (romance). Lisboa: Liv. Bertrand, 1961

O Sermão de Fogo (romance). Lisboa: Liv. Bertrand, 1962 : Guimarães Editores, 1995

As Relações Humanas: I - Os Quatro Rios (romance). Lisboa: Guimarães Editores, 1964; 2ª ed., 1971

As Relações Humanas: II - A Dança das Espadas (romance). Lisboa: Guimarães Editores, 1965

As Relações Humanas: III -Canção Diante de Uma Porta Fechada. Lisboa: Guimarães Editores, 1966

A Bíblia dos Pobres: I - Homens e Mulheres (romance). Lisboa: Guimarães Editores, 1967
A Bíblia dos Pobres: II - As Categorias (romance). Lisboa: Guimarães Editores, 1970
A Brusca (contos) Lisboa: Edit. Verbo, 1971; 2ª ed., Guimarães Editores, 1984
As Pessoas Felizes (romance). Lisboa: Guimarães Editores, 1975
Crónica do Cruzado Osb (romance). Lisboa: Guimarães Editores, 1976

As Fúrias (romance). Lisboa: Guimarães Editores, 1977; 2ª ed., 1983;

Fanny Owen (romance). Lisboa: Guimarães Editores, 1979; 4ª ed., 1998.

O Mosteiro (romance). Lisboa: Guimarães Editores, 1980; 3ª ed., 1984
Os Meninos de Ouro (romance). Lisboa: Guimarães Editores, 1983; 8ª ed., 1996
Adivinhas de Pedro e Inês (romance). Lisboa: Guimarães Editores, 1983; 2ª ed., 1986
Um Bicho da Terra (romance). Lisboa: Guimarães Editores, 1984
A Monja de Lisboa (romance). Lisboa: Guimarães Editores, 1985
A Corte do Norte (romance). Lisboa: Guimarães Editores, 1987; 2ª ed., 1996
Prazer e Glória (romance). Lisboa: Guimarães Editores, 1988
A Torre (conto). Lisboa: Assoc. Port. de Escitores / Tabaqueira, 1989.
Eugénia e Silvina (romance). Lisboa: Guimarães Editores, 1989; 2ª ed., 1990
Vale Abraão (romance). Lisboa: Guimarães Editores, 1991; 3ª ed., 1996
Ordens Menores (romance). Lisboa: Guimarães Editores, 1992; 2ª ed, 1996
O Concerto dos Flamengos (romance). Lisboa: Guimarães Editores, 1994
As Terras do Risco (romance). Lisboa: Guimarães Editores, 1994
Memórias Laurentinas (romance). Lisboa: Guimarães Editores, 1996
Um Cão que Sonha. Lisboa: Guimarães Editores, 1997

Biografia
Santo António. Lisboa: Guimarães Editores, 1973; 2ª ed., 1993
Florbela Espanca. Lisboa: Arcádia, 1979; 3ª ed., Guimarães, 1998
Sebastião José. Lisboa: I.N.C.M., 1981; 2ª ed., 1984
Longos Dias Têm Cem Anos: Presença de Vieira da Silva. Lisboa: I.N.C.M., 1982.

Ensaio

Camilo e as Circunstâncias, 1981
António Cruz, o Pintor e a Cidade, 1982
Aforismos. Lisboa: Guimarães Editores, 1988
Apocalipse de Albrecht Dürer. Lisboa: Guimarães Editores, 1986
Martha Telles: o Castelo Onde Irás e Não Voltarás. Lisboa: I.N.C.M., 1986
Camilo - Génio e Figura. Lisboa: Notícias, 1994
Alegria do Mundo - I. Lisboa: Guimarães Editores, 1996

Crónica
Conversações com Dimitri e Outras Fantasia. Lisboa: A Regra do Jogo, 1979; 3ª ed., 1992

Viagens
Embaixada a Calígula. Lisboa: Liv. Bertrand, 1961
Breviário do Brasil. Porto: Edições Asa, 1991.
Um Outro Olhar Sobre Portugal. Porto: Asa, 1995.

Teatro
O Inseparável ou o Amigo por Testamento. Lisboa: Guimarães, 1958.
A Bela Portuguesa. Lisboa: Rolim, 1986
Estados Eróticos Imediatos de Sören Kirkegaard. Lisboa: Guimarães Editores, 1992
Party (diálogos). Lisboa: Guimarães Editores, 1996

Juvenil

Dentes de Rato. Lisboa: Guimarães Editores, 1987; 7ª ed., 1996

Vento, Areia e Amoras Bravas. Lisboa; Guimarães Editores, 1990
Contos Amarantinos. Porto: Asa, 1987; 3ª ed., 1991

A Memória de Giz. Lisboa: Contexto, 1994

Traduções

Alemão
Die Sibylle (A Sibila). Trad. Georg Rudolf Lind. Frankfurt: Suhrkamp Verlag, 1987
Fanny Owen. Trad. Georg Rudolf Lind e Lieselotte Kolanoske. Frankfurt: Suhrkamp Verlag, 1987.

Castelhano
Cuentos Impopulares (Contos Impopulares). Trad. Mª Fernanda de Abreu e Jorge A. Andrade. Madrid: Alianza Editorial, 1982
La Sibila (A Sibila) Trad. Isaac Alonso de Estravís. Madrid: Alfaguara, 1981
Fanny Owen. Trad. Basilio Losada. Barcelona: Ediciones Grijalbo, 1988
Dientes de Ratón (Dentes de Rato). Trad. Eduardo Naval. Madrid: Alfaguara, 1990.

Dinamarquês
Søren Kierkegaards Umiddelbare Erotiske Stadier (Estados Eróticos Imediatos de Sören Kierkegaard). Trad. Jorge Braga.
Copenhaga: Forlaget Ørby, 1994.

Francês
La Sibylle (A Sibila). Trad. Françoise Debecker-Bardin. Paris: Gallimard, 1982.
La Cour du nord (A Corte do Norte) Trad. Françoise Debecker-Bardin. Paris: Métailié,1991
Fanny Owen. Trad. Françoise Debecker-Bardin. Paris: Actes-Sud 1988.
Le confortable désespoir des femmes. (O Mosteiro) Trad. Françoise Debecker-Bardin. Paris: Métailié, 1994.
Les Terres du risque (As Terras do Risco). Trad. Françoise Debecker-Bardin. Paris: Métailié, 1996.

Grego
H KOIAA TOY ABPAAM (Vale Abraão). Atenas: Kastaniotis Editions S.A., 1996.

Italiano
La Sibilla (A Sibila). Florença: Giunti, 1989.

Romeno
Sibila (A Sibila). Trad. Mioara Caragea. Bucareste: Univers, 1986.



Prémios
Prémio Delfim Guimarães (Guimarães Editores), 1953 (A Sibila)
Prémio Eça de Queirós (Secretariado Nacional de Informação), 1954 (A Sibila )
Prémio Ricardo Malheiros (Academia das Ciências de Lisboa), 1966 (Canção Diante de uma Porta Fechada)
Prémio Nacional de Novelística (Secretariado Nacional de Informação), 1967 (Homens e Mulheres)
Prémio "Adelaide Ristori" (Centro Cultural Italiano de Roma), 1975
Prémio Ricardo Malheiros (Academia das Ciências de Lisboa), 1977 (As Fúrias)
Prémio Pen Club Português de ficção, 1980 (O Mosteiro )
Prémio D. Dinis (Casa de Mateus), 1980 (O Mosteiro)
Prémio da Cidade do Porto, 1982
Grande Prémio de Romance e Novela da Associação Portuguesa de Escritores, 1983 (Os Meninos de Ouro)
Prémio RDP - Antena 1, 1988 (Prazer e Glória )
Prémio Seiva de Literatura (Companhia de Teatro Seiva Trupe),1988
Prémio da Crítica (Centro Português da Associação Internacional de Críticos Literários), 1993 (Ordens Menores)
Prémio União Latina (Itália), 1997 (Um Cão que Sonha)

Prémio Camões, 2004



Fontes:

Mulheres Socialistas

Leme.pt

Wook

Guerra e Paz Editores

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Morreu Maria Dulce

Celebrizada pelos diversos papéis que interpretou em filmes, telenovelas, séries e teatro, Maria Dulce faleceu ontem aos 73 anos.

©Lusa



A actriz, célebre quer em Portugal quer em Espanha, faleceu ontem em Bucelas, Loures. Para trás ficam 60 anos de carreira que se fizeram no palco e no pequeno e grande ecrã.

Maria Dulce estreou-se aos 13 anos no filme “Frei Luís de Sousa”, de António Lopes Ribeiro, no qual interpretou o papel de D. Maria de Noronha.

A carreira passou, principalmente nos primeiros tempos, por Espanha, onde fez teatro, cinema e televisão. Foi sobretudo nesta última área que Maria Dulce ficou conhecida pelo público português.

Ao longo da sua vida entrou em várias telenovelas e séries, entre elas “Os Andrades”, sobre uma família portuense, na qual Dulce interpretava o papel de sogra do protagonista.

Em 2009, integrou o elenco da peça “Hedda Gabler”, de Henrik Ibsen, com encenação de Celso Cleto, produzida pela Dramax, com a qual se apresentou em diversos palcos nacionais e no Círculo de Bellas Artes, em Madrid.

A actriz encontrava-se actualmente a ensaiar a peça “Sabina Freire”, de Manuel Teixeira Gomes, encenada por Celso Cleto, com estreia prevista para 5 de Outubro no Auditório Eunice Muñoz, em Oeiras.

Os palcos fecharam-se para Maria Dulce mas a sua memória certamente será mantida não só entre os portugueses mas também no país vizinho, onde esta lisboeta mostrou o que de melhor se faz por cá.



Fontes:
Expresso
Jornal Digital
Caras
Lusa
Lux

terça-feira, 24 de agosto de 2010

Autor da semana: António Lobo Antunes

Ficcionista e autor de vários ensaios literários que equacionam a análise psicológica com a criação artística, António Lobo Antunes é considerado como um dos melhores escritores contemporâneos a nível nacional e internacional.

© EPA

António Lobo Antunes nasceu em Lisboa, em 1942. Fez os estudos na Faculdade de Medicina de Lisboa e especializou-se em Psiquiatria, área na qual trabalhou durante vários anos.

Foi mobilizado para o serviço militar em 1970 e um ano depois embarcou para Angola, tendo regressado a Portugal em 1973 e exercido actividade clínica no Hospital Miguel Bombarda.


Estreou-se como escritor em 1979 com Memória de Elefante e Os Cus de Judas, seguidos de Conhecimento do Inferno, em 1980, livros marcadamente biográficos e ligados ao contexto da guerra colonial.


Após a publicação de Os Cus de Judas (1979) tornou-se num dos escritores mais traduzidos e internacionalmente reconhecidos, estando a sua obra traduzida para diversas línguas, entre as quais, bósnia, croata, búlgara, dinamarquesa, espanhola, alemã, checa, inglesa, finlandesa, holandesa, francesa, grega, israelita, húngara, lituana, italiana, norueguesa, russa, romena, eslovaca, eslovena e sueca.


Durante os anos 80 aperfeiçoa uma maior desenvoltura na subversão das convenções narrativas quer do ponto de vista temático quer formal, o que é notório em Auto dos Danados, obra galardoada com o Grande Prémio de Romance e Novela da Associação Portuguesa de Escritores.


O cruzamento de vozes e a multiplicação dos pontos de vista; a desarticulação da sintaxe narrativa; o livre encadeamento dos substratos temporais; a metaforização insólita e geralmente erotizada das descrições; a auto-referencialidade e intertextualidade; a versatilidade de articulação de vários registos de linguagem e o emprego de um léxico sem censuras são alguns dos principais traços que caracterizam a obra de António Lobo Antunes.


Simultaneamente, a autognose cruel do país pré e pós-revolucionário é concretizada com uma violência e negatividade tais que visam a anulação de qualquer sentimentalismo na dessacralização das imagens de um passado recente e na análise da loucura e desmoronamento colectivos.


O seu extenso trabalho literário tem sido objecto dos mais variados estudos, académicos ou não, e de diversos prémios, nacionais, entre os quais o Grande Prémio de Romance e Novela da Associação Portuguesa de Escritores, que ganhou duas vezes, e o Prémio Camões, e internacionais, entre eles, o Prémio Europeu da Literatura (Áustria), o Prémio Ovídio (Roménia), o Prémio Internacional de Literatura da União Latina (Roma), o Prémio Rosalía de Castro (Galiza), o Prémio Jerusalém da Literatura, o Prémio Terence Moix, o Prémio Juan Rulfo e o Prémio Iberoamericano das Letras José Donoso.




Bibliografia:

Memória de Elefante (1979)

Os Cus de Judas (1979)

Conhecimento do Inferno (1980)

Explicação dos Pássaros (1981)

Fado Alexandrino (1983)

Auto dos Danados (1985)

As Naus (1988)

Tratado das Paixões da Alma (1990)

A Ordem Natural das Coisas (1992)

A Morte de Carlos Gradel (1994)

O Manual dos Inquisidores (1996)

O Esplendor de Portugal (1997)

Livro de Crónicas (1998)

Exortação aos Crocodilos (1999)

Não Entres Tão Depressa Nessa Noite Escura (2000)

Que Farei Quando Tudo Arde? (2001)

Segundo Livro de Crónicas (2002)

Letrinhas de Cantigas (canções) (2002)

Boa Tarde Às Coisas Aqui em Baixo (2003)

Eu Hei-de Amar Uma Pedra (2004)

D`este Viver Aqui Neste Papel Descripto – Cartas da Guerra (2005)

A História do Hidroavião (conto) (1994-2005)

Terceiro Livro de Crónicas (2006)

Ontem Não Te Vi em Babilónia (2006)

O Meu Nome é Legião (2007)

O Arquipélago da Insónia (2008)

Quem me assassinou para que eu seja tão doce? (crónicas) (2008)

Que Cavalos São Aqueles Que Fazem Sombra no Mar? (2009)




Fontes:

http://www.ala.nletras.com/biografia.htm

Wook

terça-feira, 17 de agosto de 2010

Autor da semana: Francisco Moita Flores

Ex-agente da PJ, romancista, ensaísta, ficcionista, Francisco Moita Flores é considerado pela crítica como um dos melhores argumentistas portugueses da actualidade.


© Cátia Rodrigues/Atlântida
Francisco Moita Flores nasceu em 1953 em Moura, onde estudou até aos 15 anos. Continuou depois os estudos em Beja e em Lisboa.

Fez o bacharelato em Biologia e até 1977 leccionou no ensino secundário, ano em que ingressou na Polícia Judiciária (PJ), tendo sido o primeiro classificado no curso de Investigação Criminal.

Até 1990 integrou brigadas de furto qualificado, assalto à mão armada e homicídios. Célebre dentro daquela instituição, abandonou a PJ para se dedicar à vida académica.

Contudo, dois anos depois, regressou para junto da então direcção da PJ com a missão de proceder aos estudos e avaliações do movimento criminal. No âmbito da função de assessor, participou nos “Casos de Polícia”, programa televisivo transmitido na SIC, revolucionando as relações entre polícia e comunicação social.

Os 12 anos na PJ proporcionaram-lhe diversas experiências e inspiração para as suas obras de ficção, tendo algumas sido adaptadas para televisão.

Francisco Moita Flores foi sempre trabalhador-estudante. Além de estudar Biologia e Investigação Criminal, licenciou-se também em História e doutorou-se pelo Instituto de História e Teoria das Ideias da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra.

Estudou também Sociologia, especializando-se em Sociologia Urbana e, mais tarde, em Criminologia no Instituto de Criminologia de Lausanne e depois na Sorbonne, onde dá aulas.

Simultaneamente, tem desenvolvido trabalho como escritor. Como ensaísta, o seu trabalho sobre Antero de Quental foi considerado pela crítica como um dos melhores estudos aquando do centenário da morte do poeta filósofo. Enquanto romancista o seu nome está associado a grandes projectos televisivos.

Foi, por diversas vezes, premiado em Portugal e além-fronteiras, possuindo alguns dos seus livros traduzidos em inglês, francês e mandarim.

Actualmente, lidera o Centro de Estudos de Ciências Forenses e, simultaneamente, colabora em vários jornais e revistas portugueses.

No domínio político, após ter abandonado a PJ, integrou, na qualidade de independente, as listas do Partido Socialista às autarquias de Moura e de Lisboa e, desde 2005, é presidente da Câmara Municipal de Santarém, tendo contado com o apoio do Partido Social Democrata.

Lançou, recentemente, Mataram o Sidónio!, um romance de vida e morte onde, fundamentado em documentos da época, reconstrói o homicídio do Presidente-Rei.















Francisco Moita Flores durante uma sessão de
autógrafos na Feira do Livro de Sesimbra
(© Cátia Rodrigues/Atlântida)
Obras literárias:
Filhos da Memória do Vento, Editorial Notícias, 1997
O Carteirista que Fugiu a Tempo, Editorial Notícias, 2001
Não há Lugar para Divorciadas, Editorial Notícias, 2003
Em Memória de Albertina, que Deus Haja!, Editorial Notícias 2004
A Fúria das Vinhas, Casa das Letras, 2007
Polícias sem História, Casa das Letras, 2008
Mataram o Sidónio!, Casa das Letras, 2010


Guiões:
“Morte D`Homem” (1985)
“Desencontros” (1994)
“Filhos do Vento” (1996)
“Polícias” (1996)
“Ballet Rose” (1997)
“Esquadra de Polícia” (1998)
“A Raia dos Medos” (1999)
“Capitão Roby” (1999)
“Conde D`Abranhos” (2000)
“Alves dos Reis” (2000)
“O Processo dos Távoras” (2001)
“Lusitana Paixão” (2002)
“A Ferreirinha” (2004)
“João Semana” (2004)
“Pedro e Inês” (2005)


Fontes:
Câmara Municipal de Santarém
Portal da Literatura
Oficina do Livro
Wook

sábado, 14 de agosto de 2010

Faleceu Ruy Duarte de Carvalho

Escritor, poeta, cineasta, artista plástico e antropólogo, Ruy Duarte de Carvalho faleceu no dia 12 de Agosto, aos 69 anos.


© European Pressphoto Agency


Ruy Duarte de Carvalho, considerado por muitos como um dos maiores nomes da literatura de língua portuguesa, faleceu no passado dia 12 na cidade de Swakopmund, na Namíbia, onde residia desde 2008.


O escritor, que costumava descrever a sua obra como “meia-ficção-erudito-poético-viajeira”, nasceu em Santarém em 1941. Contudo, passou grande parte da sua infância e adolescência em Moçâmedes, na província de Namibe. Voltou à terra natal para ingressar no curso de regente agrícola que finalizou em 1960.


Retornado a Angola para exercer a sua profissão, trabalhou no sector da cafeicultura e conheceu práticas agro-pastoris tradicionais, também intituladas de subsistência.


Em 1967 dedicou-se à criação de ovinos caraculo no sul de Angola e, quatro anos depois, abandonou esta actividade e fixou-se temporariamente em Maputo e mais tarde em Londres, onde ingressou num curso de realização de cinema e televisão.


Em 1974 retornou a Angola. Adquiriu a cidadania angolana e em 1986 doutorou-se em Antropologia na École des Hautes Études de Sciences Sociales de Paris. Foi professor nas universidades de Luanda, Coimbra e São Paulo.


Publicou diversas obras, entre as quais, Vou lá visitar pastores (1999), adaptada ao teatro pelo actor e encenador Manuel Wiborg, e Actas da Maianga – Dizer da(s) guerra(s) em Angola (2003).


No domínio da poesia, editou Chão de Oferta (1972), A Decisão da Idade (1976), Observação Directa (2000) e Lavra, em que reuniu poemas escritos entre 1970 e 2000.


Na ficção, é da sua autoria Como se o Mundo não tivesse Leste (1977), Os Papéis do Inglês (2000), Paisagens Propícias (2005) e Desmedida (2006), que lhe valeu o Prémio Literário Casino da Póvoa 2008.


Filmou as populações do sul de Angola e realizou as longas-metragens “Nelisita: narrativas nyaneka” (1982) e “Moia: o recado das ilhas” (1989).


O Centro Cultural de Belém organizou, em 2008, um ciclo sobre a sua vida e obra, o primeiro que dedicou a um autor de língua portuguesa.


Desde esse ano, Ruy Duarte de Carvalho vivia em Swakopmund, a segunda maior cidade da Namíbia, onde faleceu, deixando um enorme legado para a literatura de língua portuguesa.


Fontes:

Diário de Notícias

Expresso

Diário Digital

SIC Notícias

TVI24

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

Autor da semana: João Tordo

Homem dos sete ofícios – já foi bartender, empregado de mesa, recepcionista de hotel, condutor de rickshaws, tradutor, jornalista e escritor – João Tordo foi distinguido com o Prémio Literário José Saramago 2009 e é um dos mais promissores escritores portugueses da actualidade.

© Anja Saile Literary Agency

Filho do músico Fernando Tordo e de Isabel Branco (ligada à moda e ao cinema), João Tordo nasceu em Lisboa a 28 de Agosto de 1975 num ambiente artístico.
Estudou no Liceu Pedro Nunes onde passava os dias a ler, “vício” que apanhou do padrasto.

Terminado o 12.º ano, entrou na Universidade Nova de Lisboa para estudar Filosofia por ser “uma boa maneira de se pôr a pensar”. As aulas de Filosofia Medieval marcaram-no e confessa que a partir daí nunca mais viu o mundo da mesma forma.
Terminado o curso, trabalhou em Lisboa como jornalista freelancer para revistas como a Sábado, Elle e Egoísta, e passou ainda pelo Jornal de Letras e O Independente.

© Anja Saile Literary Agency

Contudo, sentiu necessidade de viver outras coisas, indo, em 1999, para Londres fazer um mestrado em Jornalismo. Foi fortemente influenciado pela cultura anglo-saxónica mas, quando se viu a trabalhar num bar, achou que era tempo de partir.

Rumou a Nova Iorque onde participou nos cursos de Escrita Criativa do City College. Ia às aulas de manhã, servia às mesas num restaurante à hora do jantar e escrevia pela noite dentro, tendo, nessa altura, escrito o primeiro livro, Os Homens Sem Luz.
Em 2001 foi galardoado com o prémio Jovens Criadores.

A paixão pela escrita continuou e, em 2007, surgiu Hotel Memória. Seguiu-se o romance As Três Vidas, que lhe valeu o Prémio Literário José Saramago 2009.

Se aprecia a escrita de João Tordo, não perca, a 28 de Agosto, o lançamento de O Bom Inverno. Para deixar um gostinho de “quero ler mais”, deixamos-lhe a sinopse do livro. Boa leitura!

O Bom Inverno:
«Quando o narrador – um escritor frustrado e hipocondríaco – se desloca a Budapeste para um encontro literário, está longe de imaginar até onde a literatura o pode levar. Planeando uma viagem rápida e sem contratempos, acaba por conhecer um escritor italiano mais jovem, mais enérgico e muito pouco sensato, que o convence a ir com ele até Sabaudia, em Itália, onde o famoso produtor de cinema Don Metzger reúne um leque de convidados excêntricos numa casa escondida no meio de um bosque.Neste romance absorvente e magnificamente narrado, com alguns dos melhores diálogos da literatura portuguesa, João Tordo (…) coloca a sua arte ao serviço de uma história carregada de suspense, em que o amor e a literatura se misturam com sexo, crime e metafísica.»




Bibliografia:
O Livro dos Homens Sem Luz, Temas e Debates, 2004
Hotel Memória, Quidnovi, 2007
As Três Vidas, Quidnovi, 2008
O Bom Inverno, Dom Quixote, 2010

Antologias:
O Homem Que Desenhava na Cabeça dos Outros, Oficina do Livro, 2006
Contos de Terror do Homem Peixe, Chimpanzé Intelectual, 2007
Um Natal Assim, Quidnovi, 2008
Em Busca da Felicidade (Dez Histórias), Dom Quixote, 2009
Contos de Vampiros, Porto Editora, 2009

Argumento:
“A Minha Família”, RTP, SP FILMES, 2006
“Amália, a Voz do Povo”, Valentim de Carvalho Filmes, 2008
“Pai à Força”, SP Televisão, RTP, 2008-2009
“Liberdade XXI” (2 episódios), SP Televisão, RTP, 2008-2009

Tradução e Jornalismo:
- Diversas obras de ficção e ensaio traduzidas do inglês para as editoras Guerra e Paz, Quidnovi, Alêtheia e Asa.
- Coluna semanal no Semanário Económico.
- Escreveu, entre outros, para O Independente, ÍCON, Notícias Magazine, ELLE, Jornal de Letras e Egoísta.

Fontes:
Revista Ler
I
Caras
Diário Digital
Produções Fictícias

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

Férias com livros em Sesimbra

Está de férias? Aprecia um bom livro? Então dê um saltinho à Feira do Livro de Sesimbra, que decorre na Praça da Califórnia, e depois desfrute de uma boa leitura nas belas praias desta vila conhecida como “Pérola da Costa Azul”. Imperdível!

© Cátia Rodrigues/Atlântida

Nestas férias pode aliar a cultura ao lazer. Sugerimos uma passagem por Sesimbra, onde poderá visitar a 7.ª edição da Feira do Livro, desfrutar das belas praias, do sol, do mar, tudo isto na companhia de um bom livro.

O certame, que decorre até 15 de Agosto entre as 12H00 e as 24H00 na Praça da Califórnia, acolhe cerca de 70 editoras que oferecem literatura para todos os gostos, desde o romance à ficção, passando pela banda desenhada e pela literatura infantil.

Esta 7.ª edição propõe actividades que prometem encantar miúdos e graúdos.
Poderá adquirir livros com descontos especiais, assistir a lançamentos de livros e encontros com escritores, e levar os mais pequenos a participar nas muitas actividades que decorrem na Feira, desde animação com palhaços, pinturas faciais e modelagem de balões.


© Cátia Rodrigues/Atlântida
Isabel Stilwell, Francisco Moita Flores e Luís Ferreira são alguns dos nomes sonantes que irão marcar presença na Feira do Livro de Sesimbra.

Não perca também os passatempos na Rádio Sesimbra FM e ganhe livros todos os dias!
Consulte o Programa da Feira em
http://www.cm-sesimbra.pt/.

Livros, cultura, praia, mar, sol, sem esquecer a boa gastronomia sesimbrense, são os ingredientes para umas férias de Verão inesquecíveis!

© Cátia Rodrigues/Atlântida

Fontes:
Rostos.pt
Cultura Online
Câmara Municipal de Sesimbra

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

Faleceu Elvira Sellerio

Conhecida como “Dama do mundo editorial”, Elvira Sellerio, fundadora da editora homónima, faleceu no passado dia 3 em Palermo, Sicília, aos 74 anos.



© Affari Italiani


Elvira Sellerio, uma editora de renome no panorama editorial italiano, faleceu no dia 3 de Agosto. Para trás deixou uma vida dedicada à descoberta e lançamento de grandes escritores.

A “Dama do mundo editorial” nasceu na capital siciliana em 1936. Licenciou-se em Direito e, em 1969, fundou a editora homónima juntamente com o marido, o fotógrafo Enzo Sellerio.

Ganhou notoriedade quando, em 1978, publicou L`affaire Moro, de Leonardo Sciascia (1921-1989), que desafiou a lei do silêncio da Sicília ao falar da máfia.

Antonio Tabucchi, Gianrico Carofiglio, Andrea Camilleri, Manuel Vázquez Montalbán e Alicia Giménez Bartlett foram alguns dos principais escritores cujas obras foram editadas pela Sellerio, que conta, actualmente, com um catálogo composto por cerca de 3 mil títulos.

Elvira Sellerio foi distinguida com os títulos “Cavaleira do Trabalho” da República Italiana e Doutora Honoris Causa em Letras pela Faculdade de Magistério da Universidade de Palermo.


Fontes:
Diário de Notícias
ANSA Press Agency
Affari Italiani

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

A Vitória Estratégica de Fidel Castro

Fidel Castro acaba de lançar A Vitória Estratégica, um livro de memórias do dirigente comunista cubano.

© Lusa

Fidel Castro, que festejará 84 anos no dia 13 de Agosto, apresentou no passado dia 2, em Havana, um livro de memórias intitulado A Vitória Estratégica.

Durante a apresentação da obra, Fidel Castro leu extractos e comentou passagens do livro, composto por mais de 800 páginas divididas em 25 capítulos, perante dezenas de convidados, entre os quais, Guillermo Garcia e Ramiro Valdes, comandantes da Revolução de 1959, e Armando Hart, ideólogo do Partido Comunista de Cuba.

A obra relata a batalha vitoriosa do Verão de 1958 na Sierra Maestra (sudeste) e inclui uma autobiografia que explica como Fidel Castro se tornou revolucionário.


Fontes:
Diário de Notícias
Correio da Manhã
RTP

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Atlântida comemora 7 anos de actividade

Orgulho é a palavra-chave nesta semana em que a Atlântida comemora 7 anos de existência. Orgulho no seu trabalho, nos seus clientes e nos seus colaboradores, pois é graças a um trabalho conjunto que este sonho tem sido possível! Parabéns!


Desde a sua fundação em 2003, em resultado da ambição de dois tradutores, a Atlântida tem registado uma trajectória crescente de sucesso, criando valor para os seus clientes, já que a satisfação destes caminha lado a lado com o crescimento da empresa.

Ano após ano, a nossa meta passa por oferecer um serviço de qualidade, estabelecer e reforçar as relações de confiança com os nossos clientes, satisfazendo-os nos seus requisitos, nas suas expectativas e especificidades, e manter com os nossos colaboradores comportamentos pautados por respeito, cortesia, boa vontade, espírito de equipa, lealdade e confiança, ingredientes estes que têm tornado possível o sucesso da nossa empresa.

A Atlântida orgulha-se de, ao longo destes 7 anos, manter a sua visão, missão, valores, compromisso, e uma conduta profissional ao mais alto nível, actuando com zelo, honradez e dignidade, sendo profissional, rigorosa e imparcial no relacionamento com clientes, colaboradores e intervenientes directos.

No futuro, a Atlântida compromete-se a continuar o seu trabalho de excelência, a potenciar nos clientes a capacidade de resposta, a internacionalização e a qualidade linguística na comunicação internacional, bem como a dinamizar o mercado da tradução e edição funcionando como actor que inova e estimula a Tradução e a sua imagem global.

Atlântida

terça-feira, 3 de agosto de 2010

Faleceu Mário Bettencourt Resendes

Ex-director do Diário de Notícias e vencedor do Prémio Europeu de Jornalistas, Mário Bettencourt Resendes faleceu no passado dia 2 aos 58 anos.


© André Kosters/Lusa

O jornalista faleceu no Hospital Cuf Descobertas, pelas 2H15, e o funeral realiza-se hoje, com missa na Igreja de São João de Deus (15H00) e saída para o cemitério dos Olivais (15H45), onde será cremado (17H00).

Actualmente, Mário Bettencourt Resendes era provedor do leitor do Diário de Notícias (DN) mas, para trás, deixou uma vida dedicada ao jornalismo.

Nasceu em Ponta Delgada em 1952 e iniciou carreira no jornalismo em 1975, após ter sido “apanhado” pelo 25 de Abril enquanto frequentava o 5.º ano do curso de Gestão de Empresas e Economia. Com a sociedade portuguesa em convulsão e com as aulas paradas, resolveu ir para Paris estudar jornalismo, descobrindo no “mundo da comunicação” uma paixão tão forte que nunca mais regressou à economia.

Em 1975 iniciou, enquanto jornalista, um estágio no Diário de Notícias. No final do estágio integrou a equipa fundadora do Jornal Novo e a redacção da revista semanal Opção. Contudo, em Novembro de 1976, regressou ao DN onde foi, sucessivamente, redactor de Política Nacional, editor do suplemento Análise DN, coordenador das secções Política Nacional, Economia e Trabalho, e director-adjunto.

Quando o DN foi privatizado, em 1991, Mário Bettencourt Resendes ocupava já o cargo de director daquele jornal que passou para o domínio do grupo Lusomundo. Anos mais tarde, quando o DN passou a integrar o grupo Controlinveste, Mário Bettencourt Resendes manteve-se no cargo, tendo saído da direcção só em 2007 para se tornar provedor dos leitores daquele jornal.

Além de jornalista, Mário Bettencourt Resendes leccionou Comunicação Social no Instituto Superior de Comunicação Social, foi analista político, moderador de mesas-redondas, responsável por programas na RTP e na Rádio Comercial, e comentador político na TSF.

Mário Bettencourt Resendes foi ainda vice-presidente da comissão directiva europeia da Associação de Jornalistas Europeus, presidente da assembleia geral da secção portuguesa e integrou, em 1994, o Conselho Consultivo dos Utilizadores, em Bruxelas.

Mário Bettencourt Resendes foi também porta-voz do Movimento Informação e Liberdade, fundado em 2008, com o intuito de ser interlocutor em todos os processos de discussão de questões de interesse para a classe dos jornalistas.

Em 1993 foi galardoado com o Prémio Europeu de Jornalismo pela Associação de Jornalistas Europeus.

A morte de Mário Bettencourt Resendes deixou o jornalismo mais pobre, contudo, fica para esta geração de jornalistas, e para outras futuras, o exemplo de um homem que dedicou a sua vida ao rigor informativo, à luta pelos valores democráticos, pela liberdade de expressão e de imprensa, tendo sido um dos mais destacados jornalistas portugueses de sempre.

Fontes:
Diário de Notícias
Expresso

RTP
TSF