quinta-feira, 30 de setembro de 2010

É tradutor? Parabéns, hoje é o seu dia!

Comemora-se hoje o Dia do Tradutor. A Atlântida quis saber como se comemora e dignifica a nossa profissão por cá!


Mundialmente, celebra-se o Dia do Tradutor a 30 de Setembro, data da morte de S. Jerónimo (que traduziu a Bíblia para latim), sendo, por isso, o nosso patrono!A versão em latim é conhecida mundialmente como A Vulgata e, até hoje, serve de base para as versões mais actualizadas do maior texto sagrado do mundo.

Ao longo do tempo, a profissão de tradutor foi sendo aparentemente desvalorizada, embora intrinsecamente de grande valor para o entendimento entre várias culturas ao longo dos séculos. O tradutor ocupa, actualmente, uma posição relevante no mundo contemporâneo, caracterizado pela interculturalidade, pela aproximação dos povos e numa altura em que o mundo é uma verdadeira “aldeia global” e em que, independentemente da raça ou nação, todos querem comunicar as suas ideias, talentos e trabalho.

Contudo, em Portugal este dia ficou em branco. A Atlântida contactou quatro instituições portuguesas, nomeadamente, a Associação Portuguesa de Tradutores (APT), a Associação Portuguesa de Empresas de Tradução (APET), o Instituto Camões e, inclusivamente, a União Latina, e em todas a resposta foi a mesma: “Não existem eventos agendados para comemorar o Dia do Tradutor.”

Assim, já que não existem eventos de comemoração, esperamos que este dia sirva para cada um de nós, tradutores, e para os responsáveis pelas grandes instituições de Tradução, reflectirmos e percebermos o muito que ainda há a fazer para valorizar esta profissão, para auxiliar os seus profissionais, para motivar os estudantes de Tradução a seguirem uma carreira que se quer “com futuro” e para valorizar o trabalho que por cá é feito!

Deixamos as conclusões para cada um de vós e desejamos, quer em inglês, espanhol, francês, italiano, polaco, russo, árabe, mandarim…mas, sobretudo, em português, um Feliz Dia do Tradutor!

terça-feira, 28 de setembro de 2010

Autor da semana: José Rodrigues dos Santos

Escritor e professor de Ciências da Comunicação, José Rodrigues dos Santos é também um dos mais prestigiados jornalistas portugueses.

© josérodriguesdossantos.com




José Rodrigues dos Santos nasceu em Moçambique em Abril de 1964, quando o país ainda fazia parte do império colonial português.


Após o 25 de Abril de 1974 mudou-se para Portugal. Contudo, cinco anos depois partiu para Macau onde, aos 17 anos, iniciou carreira no jornalismo, trabalhando na Rádio Macau.


Em 1982 regressou a Portugal e licenciou-se em Comunicação Social na Universidade Nova de Lisboa. Em 1986 partiu para a capital inglesa, integrando a BBC.


Já em 1990 regressou a Portugal, sendo contratado pela RTP, onde começou por apresentar o “24 Horas”. Foi durante a apresentação deste programa, em Janeiro de 1991, que noticiou as breaking news sobre a Guerra do Golfo, tendo a sua prestação sido de tal forma cativante que passou a ser a “face” do Telejornal daquela estação pública de televisão.


Em 1993 tornou-se também colaborador permanente da CNN. Reportou conflitos de diversos países, entre os quais, África do Sul, Angola, Timor-Leste, Iraque, Kuwait, Israel e Palestina, Albânia, Bósnia-Herzegovina, Sérvia e Líbano.


Doutorou-se depois em Ciências da Comunicação, disciplina que actualmente lecciona na Universidade Nova de Lisboa.


É um dos mais premiados jornalistas portugueses, tendo ganho diversos prémios académicos e jornalísticos. Venceu o Prémio Ensaio, do Clube Português de Imprensa, em 1986, e o American Club of Lisbon Award for Academic Merit, do American Club of Lisbon, em 1987. Ganhou também o Grande Prémio de Jornalismo, do Clube Português de Imprensa, em 1994. Venceu ainda três prémios da CNN: o Best News Breaking Story of the Year, em 1994, pela história “Huambo Battle”; o Best News Story of the Year for the Sunday, em 1998, pela reportagem “Albania Bunkers”; e o Contributor Achievement Award, em 2000, pelo conjunto do seu trabalho.


Actualmente, é director de Informação e apresentador do Telejornal da RTP e um dos jornalistas mais influentes no panorama informativo nacional. Contudo, além da sua mais conhecida faceta como jornalista, é também ensaísta e romancista. Tornou-se, sobretudo nesta última vertente literária, num dos escritores portugueses contemporâneos a alcançar o maior número de edições com obras que venderam mais de cem mil exemplares cada.


O romance de estreia, denominado A Ilha das Trevas, foi reeditado pela Gradiva, em 2007, actual editora do autor.


Em 2005, o jornalista e escritor português estabeleceu um acordo com uma das principais editoras a operar nos Estados Unidos, a Harper Collins, com o intuito de lançar naquele país a obra O Codex 632. O livro foi apresentado na Book Fair America de 2007 como um dos principais lançamentos daquela editora.


Entretanto, outro acordo foi obtido pelo autor e pela Gradiva com o Gotham Group, uma empresa de Los Angeles ligada às principais produtoras de Hollywood, tais como a Paramount, a Universal Studios e a Twentieth Century Fox, com o intuito de adaptar a obra O Codex 632 ao cinema. A ocorrer, José Rodrigues dos Santos será o segundo autor português na história, a seguir a José Saramago com Ensaio sobre a Cegueira, a ver uma obra transposta para o cinema.


José Rodrigues dos Santos é assim uma referência para os jovens jornalistas e escritores e um exemplo de profissionalismo no mundo mediático.


Obras:


Ensaio:

Comunicação, Difusão Cultural, 1992; Prefácio, 2001.

Crónicas de Guerra I – Da Crimeia a Dachau, Gradiva, 2001; Círculo de Leitores, 2002.

Crónicas de Guerra II – De Saigão a Bagdade, Gradiva, 2002; Círculo de Leitores, 2002.

A Verdade da Guerra, Gradiva, 2002; Círculo de Leitores, 2003.


Ficção

A Ilha das Trevas, Temas & Debates, 2002; Prefácio e Círculo de Leitores, 2003; Gradiva, 2007.

A Filha do Capitão, Gradiva, 2004.

O Codex 632, Gradiva, 2005.

A Fórmula de Deus, Gradiva, 2006.

O Sétimo Selo, Gradiva, 2007.

A Vida Num Sopro, Gradiva, 2008.

Fúria Divina, Gradiva, 2009.

Conversas de Escritores, Gradiva, 2010.



Fontes:

joserodriguesdossantos.com

Portal da Literatura

Wook

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Autor da semana: Daniel Sampaio

Psiquiatra conceituado e terapeuta familiar, Daniel Sampaio tem dedicado a sua vida e obra ao estudo dos problemas dos jovens e das suas famílias, tendo actualmente quase duas dezenas de obras editadas.

© Sandra Rocha/ Kameraphoto



Daniel Sampaio nasceu em Lisboa em 1946. Até aos 15 viveu em Sintra, tendo-se mudado depois para Lisboa, onde prosseguiu os estudos no Liceu Pedro Nunes.

Em 1970 formou-se em Medicina e, no mesmo ano, casou com Maria José Cabeçadas Ataíde Ferreira, tendo actualmente três filhos e cinco netos.


Em 1986 obteve o doutoramento em Medicina, na especialidade de Psiquiatria.


É professor associado com agregação desde 1997 na Faculdade de Medicina de Lisboa e assistente hospitalar graduado do Serviço de Psiquiatria do Hospital de Santa Maria em Lisboa, onde coordena o Núcleo de Estudos do Suicídio.


Coordena, igualmente, neste hospital, o atendimento de jovens com anorexia nervosa e bulimia nervosa. Foi um dos introdutores da Terapia Familiar em Portugal, a partir da Sociedade Portuguesa de Terapia Familiar, que fundou em 1979.


Na Rádio Renascença, teve um programa intitulado “Sociedade do Conhecimento”, no qual também participaram Paulo Sérgio e Luís Osório.


O seu livro Vagabundos de Nós foi adaptado ao teatro, com encenação de Luís Osório, tendo a peça estado em cena no Teatro Maria Matos, de 17 de Março a 18 de Abril de 2004, e sido vista por mais de 6 mil pessoas.


Livros publicados:

Droga, pais e filhos, Bertrand, 1978

Terapia Familiar, Afrontamento, 1985

Que divórcio?, Edições 70, 1991

Ninguém Morre Sozinho, Caminho, 1991

Vozes e Ruídos, Editorial Caminho, 1993

Inventem-se Novos Pais, Caminho, 1994

Voltei à Escola, Editorial Caminho, 1996

A Cinza do Tempo, Caminho, 1997

Vivemos Livres numa Prisão, Caminho, 1998

A Arte da Fuga, Caminho, 1999

Tudo o Que Temos Cá Dentro, Caminho, 2000

Lições do Abismo, Caminho, 2002

Vagabundos de Nós, Caminho, 2003

Árvore sem Voz, Caminho, 2004

Lavrar o Mar, Caminho, 2006

Daniel Sampaio, conversas com João Adelino Faria, Relógio D`Água Editores, 2008

A Razão dos Avós, Editorial Caminho, 2008

Porque Sim, Editorial Caminho, 2009



Fontes:

danielsampaio.no.sapo.pt

Wook

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Autor da semana: José Luís Peixoto

“Há muitas coisas que percebo que não sou, mas dizer exactamente o que sou não consigo”*, afirma José Luís Peixoto. Um homem das Letras e que acaba de fazer nascer o Livro.

© DN/Gonçalo Villaverde




José Luís Peixoto nasceu em Setembro de 1974 em Galveias, Portalegre, e licenciou-se em Línguas e Literaturas Modernas, na variante de Inglês e Alemão, pela Universidade Nova de Lisboa.


Estreou-se na ficção com Morreste-me, em 2000, publicado em edição de autor. No mesmo ano publicou o romance Nenhum Olhar, com o qual ganhou o Prémio José Saramago em 2001 e foi considerado finalista para a atribuição de dois dos mais importantes prémios literários desse mesmo ano: o Grande Prémio de Romance e Novela da APE e o Prémio do Pen Club.


É ainda autor de A Criança em Ruínas (poesia, 2001), Uma Casa na Escuridão (romance, 2002), A Casa, a Escuridão (poesia, 2002), Antídoto (prosa, 2003) e Cemitério de Pianos (prosa, 2006).


Possui textos publicados em várias revistas portuguesas e estrangeiras e assina colunas permanentes em diversas publicações nacionais e além-fronteiras.


Foi, ao longo de vários anos, professor do ensino secundário, tendo leccionado na Lousã, em Oliveira do Hospital e na Cidade da Praia, em Cabo Verde.


No passado dia 14 de Setembro lançou Livro, a sua mais recente obra. Os seus romances estão publicados em 12 idiomas, sendo actualmente um dos jovens romancistas de maior destaque na Europa.



Biografia


Ficção

Morreste-me, 2000

Nenhum Olhar, 2000

Uma Casa na Escuridão, 2002

Antídoto, 2003

Minto Até ao Dizer que Minto, 2006

Cemitério de Pianos, 2006

Hoje Não, 2007

Cal, 2007

Livro, 2010


Poesia

A Criança em Ruínas, 2001

A Casa, a Escuridão, 2002

Gaveta de Papéis, 2008


Obras de teatro

“Anathema”, 2006

“À Manhã”, 2007

“Quando o Inverno Chegar”, 2007


Prémios

Prémio Jovens Criadores do Instituto Português da Juventude de 1998 e 2000

Prémio José Saramago da Fundação Círculo de Leitores, 2001

Prémio Daniel Faria, 2008

Prémio Cálamo Outra Mirada, 2008



Fontes:

Expresso

Diário de Notícias

Instituto Camões

Wook


* Citação de José Luís Peixoto publicada no Notícias Magazine (Diário de Notícias).

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Faleceu Francisco Ribeiro, ex-Madredeus

Compositor, letrista, vocalista e produtor, Francisco Ribeiro, que foi também violoncelista e co-fundador dos Madredeus, faleceu na passada Terça-feira, aos 45 anos.

© D.R.

Francisco Ribeiro foi um dos membros fundadores dos Madredeus, banda que surgiu em 1986 com uma sonoridade especial e melancólica e que percorreu o mundo.

Após centenas de concertos e vários discos lançados, abandonou a banda em 1997 para completar a sua formação musical, em Inglaterra.

Foi membro da Stroud Symphony Orchestra e da Gloucester Symphony Orchestra, em 2002 e 2003.

Longe do olhar do público, regressou a Portugal em 2006 e, em Dezembro de 2009, ressurgiu em primeiro plano com “A Junção do Bem”, o primeiro álbum do seu projecto Desiderata.

Contudo, um cancro no fígado contra o qual lutava obrigou-o a cancelar um espectáculo agendado para Julho passado, na Casa da Música, no Porto, onde o álbum foi gravado.

O corpo de Francisco Ribeiro será hoje levado para o Cemitério dos Olivais onde família, amigos, colegas e fãs poderão dizer um último adeus.


Fontes:
Público
Correio da Manhã
TVI 24

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Autor da semana: valter hugo mãe

Não há erro no título, não se trata de lapso de escrita nem tão pouco de estilo jornalístico, valter hugo mãe escreve-se com minúsculas. Conheça o homem que “limpou” as maiúsculas e cuja obra foi apelidada de “tsunami literário” por José Saramago, e acredite que não foi pelas piores razões …





valter hugo mãe nasceu em Saurimo, Angola, em 1971. Contudo, foi em Passos de Ferreira que passou grande parte da infância. Já em 1981 mudou-se para Vila do Conde, terra que nunca mais deixou.


Licenciou-se em Direito, contudo a sua paixão pelas Letras levou-o a pós-graduar-se em Literatura Portuguesa Moderna e Contemporânea.


A sua jornada pelo mundo das Letras iniciou-se na poesia, em 1996, com silencioso corpo de fuga, sendo a liberdade formal uma das principais características de valter hugo mãe, para quem “arrancar” as maiúsculas do princípio das frases acelera a leitura, já que, como explica, “não falamos com maiúsculas, aspas ou travessões”.


Em 1999 fundou com Jorge Reis Sá a Quasi Edições, publicando obras de várias personalidades, entre as quais, Mário Soares, Adriana Calcanhotto, Caetano Veloso, Artur do Cruzeiro Seixas, Ferreira Gullar, António Ramos Rosa, e Adolfo Luxúria Canibal. No mesmo ano recebeu o Prémio Almeida Garrett.


Em 2001 tornou-se director da revista Apeadeiro e em 2004 publicou o nosso reino. Contudo, seria com o remorso de baltazar serapião, obra publicada em 2007, que o seu talento seria finalmente reconhecido ao ganhar o Prémio José Saramago pela mão do próprio escritor, que caracterizou a obra de valter hugo mãe como um “tsunami literário”.


Em 2006 fundou a editora Objecto Cardíaco. Dois anos depois publicou o apocalipse dos trabalhadores e passou a dedicar-se também à edição de letras de músicas tendo, ainda neste ano, fundado com Miguel Pedro e António Rafael, do grupo Mão Morta, a banda Governo, da qual se tornou vocalista.


Com letras e músicas se faz a vida deste homem, considerado um dos melhores autores contemporâneos do panorama editorial português.



Bibliografia


Poesia


silencioso corpo de fuga, A Mar Arte, Coimbra, 1996;

o sol pôs-se calmo sem me acordar, A Mar Arte, Coimbra, 1997;

entorno a casa sobre a cabeça, Silêncio da Gaveta Edições, Vila do Conde, 1999;

egon schielle auto-retrato de dupla encarnação, Associação dos Jornalistas e Homens de Letras do Porto, Porto, 1999;

estou escondido na cor amarga do fim da tarde, Campo das Letras, Porto, 2000;

três minutos antes de a maré encher, Quasi Edições, V.N. Famalicão, 2000;

a cobrição das filhas, Quasi Edições, V.N. Famalicão, 2001;

útero, Quasi Edições, V.N. Famalicão, 2003;

o resto da minha alegria seguido de a remoção das almas, Cadernos do Campo Alegre, Porto, 2003;

livro de maldições, Objecto Cardíaco, Vila do Conde, 2006;

pornografia erudita, Edições Cosmorama, Maia, 2007;

bruno, Littera Libros, Espanha, 2007;

folclore íntimo, Edições Cosmorama, Maia, 2008.



Romance

o nosso reino, Temas e Debates, Lisboa, 2004;

o remorso de baltazar serapião, QuidNovi, Matosinhos / Lisboa, 2007;

o apocalipse dos trabalhadores, QuidNovi, Matosinhos / Lisboa, 2008.

a máquina de fazer espanhóis, Objectiva, 2010


Infantil


a verdadeira história dos pássaros, Booklândia / QuidNovis, Matosinhos / Lisboa, 2009;

a história do homem calado, Booklândia / QuidNovis, Matosinhos / Lisboa, 2009.


Fontes:

valterhugomae.com

ionline

Público

Wook

Instituto Camões