quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Autor da semana: valter hugo mãe

Não há erro no título, não se trata de lapso de escrita nem tão pouco de estilo jornalístico, valter hugo mãe escreve-se com minúsculas. Conheça o homem que “limpou” as maiúsculas e cuja obra foi apelidada de “tsunami literário” por José Saramago, e acredite que não foi pelas piores razões …





valter hugo mãe nasceu em Saurimo, Angola, em 1971. Contudo, foi em Passos de Ferreira que passou grande parte da infância. Já em 1981 mudou-se para Vila do Conde, terra que nunca mais deixou.


Licenciou-se em Direito, contudo a sua paixão pelas Letras levou-o a pós-graduar-se em Literatura Portuguesa Moderna e Contemporânea.


A sua jornada pelo mundo das Letras iniciou-se na poesia, em 1996, com silencioso corpo de fuga, sendo a liberdade formal uma das principais características de valter hugo mãe, para quem “arrancar” as maiúsculas do princípio das frases acelera a leitura, já que, como explica, “não falamos com maiúsculas, aspas ou travessões”.


Em 1999 fundou com Jorge Reis Sá a Quasi Edições, publicando obras de várias personalidades, entre as quais, Mário Soares, Adriana Calcanhotto, Caetano Veloso, Artur do Cruzeiro Seixas, Ferreira Gullar, António Ramos Rosa, e Adolfo Luxúria Canibal. No mesmo ano recebeu o Prémio Almeida Garrett.


Em 2001 tornou-se director da revista Apeadeiro e em 2004 publicou o nosso reino. Contudo, seria com o remorso de baltazar serapião, obra publicada em 2007, que o seu talento seria finalmente reconhecido ao ganhar o Prémio José Saramago pela mão do próprio escritor, que caracterizou a obra de valter hugo mãe como um “tsunami literário”.


Em 2006 fundou a editora Objecto Cardíaco. Dois anos depois publicou o apocalipse dos trabalhadores e passou a dedicar-se também à edição de letras de músicas tendo, ainda neste ano, fundado com Miguel Pedro e António Rafael, do grupo Mão Morta, a banda Governo, da qual se tornou vocalista.


Com letras e músicas se faz a vida deste homem, considerado um dos melhores autores contemporâneos do panorama editorial português.



Bibliografia


Poesia


silencioso corpo de fuga, A Mar Arte, Coimbra, 1996;

o sol pôs-se calmo sem me acordar, A Mar Arte, Coimbra, 1997;

entorno a casa sobre a cabeça, Silêncio da Gaveta Edições, Vila do Conde, 1999;

egon schielle auto-retrato de dupla encarnação, Associação dos Jornalistas e Homens de Letras do Porto, Porto, 1999;

estou escondido na cor amarga do fim da tarde, Campo das Letras, Porto, 2000;

três minutos antes de a maré encher, Quasi Edições, V.N. Famalicão, 2000;

a cobrição das filhas, Quasi Edições, V.N. Famalicão, 2001;

útero, Quasi Edições, V.N. Famalicão, 2003;

o resto da minha alegria seguido de a remoção das almas, Cadernos do Campo Alegre, Porto, 2003;

livro de maldições, Objecto Cardíaco, Vila do Conde, 2006;

pornografia erudita, Edições Cosmorama, Maia, 2007;

bruno, Littera Libros, Espanha, 2007;

folclore íntimo, Edições Cosmorama, Maia, 2008.



Romance

o nosso reino, Temas e Debates, Lisboa, 2004;

o remorso de baltazar serapião, QuidNovi, Matosinhos / Lisboa, 2007;

o apocalipse dos trabalhadores, QuidNovi, Matosinhos / Lisboa, 2008.

a máquina de fazer espanhóis, Objectiva, 2010


Infantil


a verdadeira história dos pássaros, Booklândia / QuidNovis, Matosinhos / Lisboa, 2009;

a história do homem calado, Booklândia / QuidNovis, Matosinhos / Lisboa, 2009.


Fontes:

valterhugomae.com

ionline

Público

Wook

Instituto Camões

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