sexta-feira, 30 de julho de 2010

Faleceu António Feio

Actor e encenador de renome no panorama artístico nacional, António Feio viu os palcos fecharem-se, em definitivo, na noite passada.

© Rádio Vizela


António Feio, 55 anos, faleceu às 23H40 da passada quinta-feira na Unidade de Cuidados Paliativos do Hospital da Luz, onde se encontrava internado devido a um cancro no pâncreas contra o qual lutava desde há um ano e meio.

Apesar da gravidade do cancro, devido ao qual estava a fazer uma nova fase de quimioterapia, António Feio continuou a trabalhar porque, como disse recentemente em entrevista à Antena 1, continuar a encenar lhe dava força para enfrentar a doença.

Como legado, António Feio deixa uma história de quatro décadas de dedicação ao teatro, um exemplo de optimismo e uma vontade incessante de viver.

António Feio nasceu em Lourenço Marques, Moçambique, a 6 de Dezembro de 1954, tendo-se mudado para Lisboa aos sete anos.

Aos 11 anos enveredou na quinta arte pela mão da mãe, Ester, no Teatro Experimental de Cascais, tendo-se estreado em 1966 com a peça “O Mar”, de Miguel Torga, na sequência de um convite do director daquele teatro, Carlos Avilez, abrindo caminho para um vida artística que fazer-se-ia quer no teatro, na televisão, em folhetins na rádio, na publicidade, nas traduções, nas dobragens e na sétima arte.

António Feio manteve-se durante alguns anos no Teatro Experimental de Cascais, actuando depois no Teatro Aquarius, que fundou, na Cooperativa de Comediantes Rafael de Oliveira, no Teatro Popular-Companhia Nacional I, no Teatro ABC, no Teatro S. Luiz, na Casa da Comédia, no Teatro Variedades, no Teatro Aberto, no Centro de Arte Moderna, no Teatro Nacional D. Maria II e no Teatro Villaret.

Estreou-se no papel de encenador com “Pequeno Rebanho Não Desesperes”, de Christian Giudicelli, na Casa da Comédia.
Seguiram-se “Vincent”, de Leonard Nimoy, no Teatro Nacional D. Maria II, “O Verdadeiro Oeste”, de Sam Shepard, no Auditório Carlos Paredes, e muitas outras encenações com destaque para “A Partilha”, de Miguel Fallabela, e “O que diz Molero”, de Diniz Machado.

Participou, enquanto actor, em “Inox-Take 5”, em 1993, ao lado de José Pedro Gomes, dando início a uma dupla profissional inseparável.

No pequeno ecrã notabilizou-se em sitcoms como “Conversa da Treta”, ao lado de José Pedro Gomes, e em programas como “1,2,3”.

António Feio havia sido, em Março, condecorado pelo Presidente da República, Cavaco Silva, com o grau honorífico de comendador da Ordem do Infante D. Henrique, por ocasião do Dia Mundial do Teatro.

Para a história fica o trabalho de um homem que dedicou a sua vida ao teatro e por cuja vida lutou até ao fim.

Fontes:
Sapo Notícias
Jornal de Notícias
Público
Euronews

2 comentários:

  1. Foi sem dúvida um grande artista e, acima de tudo, um grande homem!

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  2. O seu fantástico trabalho, a sua força e vontade de viver são o legado que este ilustre homem nos deixa!

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